Tertúlia Hermética: Esoterismo nos Contos Infantis

Mar 5th, 2012 | By | Category: Em Português, Tertúlia Hermética

Era uma vez, há muito muito tempo…

Começam assim todos os contos infantis e começou assim a nossa noite. Porque antes ainda de começarmos a analisar um ou outro conto mais esotérico, não há dúvida que, qual ritual de abertura, todos os contos infantis começam da mesma maneira. Mais, todos terminam da mesma maneira: “e foram felizes para sempre”. Afinal, porque é que todos os contos começam e acabam da mesma maneira? Serão um portal da imaginação, transportando imediatamente as crianças para outro mundo? Serão um início e terminar de trabalhos, demonstrando já à partida a sua origem iniciática? Aliás, questionam-se os presentes, seriam sequer estes contos destinados a crianças exclusivamente? Será que estes mitos e histórias que passam pela tradição oral durante tantos séculos tiveram originalmente o papel dos filmes e da televisão nos nossos dias: entreter as tribos?

Dado que há uma abertura e encerramento claro dos trabalhos, em algum momento do tempo deve ter havido a passagem de simples histórias de entreter para contos que codificassem mensagens específicas. Mas porquê contá-las a crianças?

As crianças gostam de repetir. Gostam de previsibilidade. Os adultos gostam de coisas novas, por isso têm sempre a tentação de alterar as histórias, enquanto as crianças são capazes de reproduzir as histórias sem alterações. Aliás, se algum adulto tentar alterar as histórias, leva logo com as queixas da criança! “O Capuchinho não é verde, é vermelho!” “Não são nada 6 anões, são 7!” “Não sabes contar!”

Dentro do era uma vez e até ao viveram felizes para sempre não há alterações da mensagem. Entre a abertura dos trabalhos e o seu encerramento, mantém-se a mensagem. É por isso que as crianças são fiéis depositárias destas mensagens há séculos.

Então e os elementos das histórias? Foram sugeridos vários elementos muito comuns nestas histórias. Nomeadamente florestas, clareiras, castelos, espelhos, números como o 7 e o 3 são frequentes, o fogo e a água, a meia-noite e os elementos da jornada do herói: protagonista, antagonista, o bem e o mal, a demanda do herói, a situação ideal no início, a “queda do paraíso” e a necessidade de restaurar a ordem. Não esquecendo o papel do mágico que ajuda o protagonista, como as fadas madrinhas que pululam pelos contos. O beijo do príncipe também é um tema central, equivalente ao sopro de Deus ao dar vida no Paraíso. O ar é mais um elemento comum nos contos infantis, aliás todos os elementos têm o seu papel. O cavalo é branco porque é no cavalo branco que em todas as culturas do mundo vêm os reparadores, os restauradores da ordem.

Uma análise mais profunda de histórias como da Branca de Neve, a Bela Adormecida e o João e o Pé de Feijão revelaram conhecimentos e significados novos em contos que já ouvimos mil vezes.

O tema, de aparente simplicidade, surpreendeu os presenentes pela sua profundidade e universalidade. Afinal, há segredos bem guardados nas mãos das crianças e à vista de toda a gente.

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