Mas afinal onde estão os Templários?
Feb 11th, 2012 | By Luis Matos | Category: Destaque, Em Português, Grupos de Estudos, Lead, Templários
Uma Ordem com a antiguidade histórica da Ordem do Templo, para mais suprimida por meios violentos e injustos, deixou naturalmente muitos ecos da sua existência que perduram séculos. Para os estudiosos o problema da sobrevivência da Ordem não é um mistério, já que há dados suficientes para demonstrar que a Ordem foi suspensa pela Santa Sé, única autoridade reconhecida por ela, pelo que compete à mesma Santa Sé retomá-la ou não. Estou certo que o fará em moldes que chocarão profundamente a maior parte dos ditos “neo-templários” ou “templários” dos dias de hoje, arrasando de vez com mitómanas pretensões e tolices disfarçadas de “história”. Mas a seu tempo o veremos.
É para nós – e aqui falo em nome da Ordem que represento – completamente indiferente o que aconteceu ao “corpo”, parte tangível e mortal da Ordem Templária. Quem quiser o seu cadáver (e muitos o querem…), que o reclamem e lhes seja de boa serventia. O que nos importa é o interior, a dimensão espiritual e transcendente que compunha a mística da Ordem, a qual lhe é anterior e de origem ainda por apurar. Esse cimento invisível de coesão – que Filipe, o Belo, não pode matar ou queimar – esteve bem presente quando D. Dinis sabiamente apadrinhou a Ordem de Cristo. Essa chama que dá a luz imperecível, a mesma que assegura que o candelabro que ilumina a Santa Palavra sobre o altar de Chartres veicula idêntica luz espiritual que aquela candeia na noite gélida de Trancoso ilumina a Sagrada Família na sala da estar de uma velha mãe que reza em súplica a Maria piedosa pela sua prole, essa luz imortal que activa o Templo terrestre e procede do Templo celeste, essa é a causa e a força que nos interessa. Essa é a verdadeira chave que sobeja uma vez varridas as cinzas dos corpos calcinados na fogueira das tiranias humanas. Ao queimar corpos e carne e ossos, Filipe não impediu que o “ethos” Templário se prolongasse na história através de luminárias como a Ordem de Montesa, a Ordem de Calatrava, a Ordem de Alcântara, os Cavaleiros do Gládio da Ordem Teutónica, a Guarda Real de Robert Bruce, a Estrita Observância Templária e, porventura a mais brilhantes de todas as partículas em brasa dessa Fénix Templária que foi a Ordem de Cristo de Portugal. Se Filipe teve algum mérito foi o de tornar imortal uma Ordem que mostrava sinais de decadência. Foi o de multiplicar por dez os corpos que veicularam com êxito a missão e a ética Templária ao longo da Europa medieval e renascentista.
Ora, olhando profundamente se notará que parte do espírito Templário sintetizam uns e outros ramos dessa antiga família ainda activos nos dias de hoje. Há grupos excursionistas, cujas actividades se centram em viagens pelo mundo para assistir a uma missa e uma “investidura” de gente que jamais voltam a ver na vida. Essa é uma vertente. Há outros grupos que preferem os Jantares de Gala e toda a vaidade que com eles se vive. É um outro aspecto. Os Templários originais foram acusados muitas vezes de “bêbados e comilões, pouco interessados pelos pobres”, pelo que é perfeitamente legítimo andar a exibir essa parte da Tradição Templária pelo mundo. Porque não? O que é muito difícil encontrar é um filho, num dos ramos centrais ou colaterais, que mantenha as práticas mais puras e mais bem ancoradas na verdade Templária, que possam dar acesso à tal Cavalaria Espiritual que fez o Templo e o refez sempre que assim foi preciso ao longo da História.
No nosso caso, OSMTHU, ramo da OSMTH (obrigado a seguir caminho autónomo nos anos da 2ª Guerra a partir da OSMTJ), estamos muito pouco preocupados em saber se Clemente V foi conivente com Filipe deixando que os Templários fossem queimados na fogueira, ou se Clemente V não foi conivente, assinou um documento (“Carta de Chinon”) em que absolveu a Ordem, na sequência do qual deixou Filipe queimá-los na fogueira. Para nós, o “cheiro a esturro” não se dissipa. E nós, OSMTHU, fomos os primeiros (senão os únicos) a ser convidados por Barbara Frale e o Padre Pagano a visitar os Arquivos Secretos do Vaticano e ver o documento , nos idos de 2002. Contudo sabemos que documentos históricos devem ser enquadrados no seu contexto e tempo históricos, pelo que pretender reconhecer mais de 700 anos depois da assinatura da Carta de Chinon uma Ordem fundada mais de 400 anos após a mesma assinatura é de uma desfaçatez e fantasia mitómana que em nada abona a organização que mantém esse fim, declarando à imprensa que vai “negociar” com o Vaticano… Como se o Vaticano negociasse este tipo de assuntos como quem regateia o preço das nabiças na saudosa Praça do Bolhão… Tenham paciência…
Estamos pouco preocupados em saber se o cadáver Templário pode ser exumado pelo simples facto de que o seu espírito e a sua força anímica, a sua componente transcendente (que não é de jantares anuais, mas, recorde-se, de MONGES -SOLDADOS), o seu SER, está vivo e é tão coerente hoje como o era há 800 anos. É tão Templário como sempre o foi.
Dito isto, há que reconhecer que este post é motivado pela verdadeira avalanche de emails, comentários e pedidos que temos recebido nos últimos dias de entrada na Ordem. Isto deve-se à recente cerimónia realizada em Coimbra por um outro ramo da Ordem que teve cobertura mediática muito razoável. Sobre esse ramo não nos cabe pronunciar (mais uma vez, o frutos são o melhor indicador da árvore que os dá). Cabe sim esclarecer que a OSMTHU está numa fase de interioridade que não é compatível com cerimonial público. Por um tempo ainda indeterminado a Ordem considerou que é profundamente importante reforçar os dois aspectos marcantes da nossa Tradição:
a) A Instrução da Cavalaria (quer histórica, quer filosófica, quer simbólica)
b) A Instrução Religiosa (sem a qual o potencial Cavaleiro não pode realizar a plenitude da iniciação MONGE-SOLDADO)
Estas duas componentes aparentemente contrárias (a do guerreiro que tem o poder de matar e a do sacerdote que tem o poder de absolver) são específicas do nosso ramo da Tradição Templária e não se encontram disponíveis em nenhum outro ramo activo neste momento.
Deste modo, a OSMTHU em Portugal determinou que, antes de se proceder a qualquer tipo de aproximação à Ordem, é de vital importância que possíveis candidatos às suas fileiras entendam de modo muito claro o que é a Ordem e o que podem de forma REALISTA esperar da sua filiação. Deste modo, estabeleceu-se um protocolo com o In Hoc Signo Hermetic Institute (ver www.ihshi.com) que permite a qualquer postulante empreender um período de estudo aprofundado através do Grupo de Estudos Templários, após o qual está melhor posicionado para decidir que ramo da enorme família Templária mais se coaduna com as suas aspirações.
Assim, até notícia em contrário e à semelhança de outras Ordens de carácter iniciático, a OSMTHU em Portugal delega no Instituto IHS a fase introdutória de preparação e orientação prévia dos seus futuros membros.
Mas afinal onde estão os Templários?
Ao leme, Senhor… Ainda estão ao leme.
Por: Luis de Matos, Chanceler Internacional da OSMTHU




Preparação e orientação, .., julgo que sim.,, e como saber se é aceite,…?
Não estão ao leme, mas sempre à espera de tomar o leme, caso o timoneiro vacile. Pelo menos aqui em Portugal.
Se quiser saber onde estão os verdadeiros templários não os busque o articulista nas “ordens” neo-templárias. Busque-os na “aparentemente extinta Ordem do Templo” de que Pessoa fez parte. Os seus confrades ainda cá estão e não andam a correr o carnaval com capas e penduricalhos; pelo contrário, andam a fazer o trabalho que Deus lhes permite fazer.
Cruce dum spiro fido deo duce ferro comitante
O seu comentário resume de modo brilhante o artigo. E a referência ao Carnaval não podia ser mais adequada. Lamentavelmente essa não é a situação apenas em Portugal.
Caro Senhor Luis de Matos,
Como norma comento neste tipo de situação apenas uma vez, sob um faux nom (a isso sou obrigado, acredite) e porque em determinados casos é necessário que se saibam pequenos detalhes da Verdade.
Observo o trabalho da OSMTHU na defesa dos valores da Ordem. Folgo em ver que toma um rumo de resguardo desses valores, resguardando-se de elementos que não sejam dignos de os professar.
Se me permite a observação, o exemplo recente na maçonaria é de fazer pensar duas vezes em quem se coopta.
Supremum vale
Caro Pedro Negro:
O seu pseudónimo é suficientemente claro para quem o possa entender. Obrigado pelas palavras que nos dirige. Temos pautado a nossa actuação por uma discrição absoluta ao ponto de se especular internacionalmente se o nosso ramo da Ordem continua a existir. Continua. Estou a par do trabalho de muitos ramos que nos envergonham de sobremaneira. Tem faltado muita instrução, conhecimento e sabedoria aos líderes desses ramos a nível mundial. Sabe que até bem recentemente o Santo Papa recebia anualmente pelo menos uma dúzia de cartas de grupos diferentes reclamando ser eles os únicos e autênticos Templários e exigindo um reconhecimento imediato motivado pela publicação do Pergaminho de Chinon? Consegue imaginar o que essas acções idiotas têm feito pelo nome da Ordem quer junto ao Vaticano, quer junto a autoridades civis e comunidade académica? Já não falo da comunidade iniciática, que essa não precisava de tais parvoíces para ver o que se passa em cada ramo. Houve uns iluminados que passaram duas semanas na praça de São Pedro em Roma acampados e em greve de fome até serem recebidos por Bento XVI… Foram finamente expulsos pela polícia romana.
Esta semana recebi um mail de um “elevado templário” que pedia a todos que fizessem uma semana de oração para que os maçons que eram também Templários deixassem o “caminho errado” e se convertessem à Igreja. O tipo ficou banzado quando recebeu a resposta de um certo Templário que lhe agradeceu o pedido, mas que por ele não valia a pena, já que era Templário activo, Maçon activo e Bispo celebrando a Eucaristia ao altar frequentemente… Anda por aí tanto desconhecimento da realidade… Seja dos Templários, seja da Maçonaria, seja da Igreja…
Por isso mesmo teremos de abrir as portas um pouquinho mais em breve, mesmo correndo o risco de ser confundidos. O coração de cada um saberá distinguir.
Também… se não, não.
Caro Senhor Luis de Matos,
Obriga-me a revogar o supremum vale do último post.
Roma distingue a moeda boa da contrafeita, tem uma experiência milenar nisso. Eu não me preocuparia muito com as ações de grupelhos junto da S.S., que sabe perfeitamente quem são e onde estão os seus aliados e melhor ainda os seus inimigos (no caso vertente os que legitimamente se reclamam de uma tradição e aqueles que adulteram a mesma pondo-a assim em risco).
Já a sociedade civil e a comunidade acadêmica não têm a mesma capacidade de destrinça…
O cavalheiro que refere faz-me lembrar um outro fundamentalista cristão norte-americano que, aqui há uma meia dúzia de anos mandou um (esse sim) elevado templário português para o seu castelo quando este o admoestou por impiedade numa diatribe sobre a jihad (se a memória me serve correctamente).
O que me traz ao último parágrafo do seu post. Quando se remete alguém para o seu castelo remete-se para o passado. Nestes tempos de alta tecnologia de análise de dados, se calhar a melhor resposta é deixar o coração distinguir, como no passado.
É uma visão diferente da que eu expendi (que sou por natureza cauteloso), mas revela muito mais sentir templário, com temeridade q.b.
Desejo os melhores êxitos à OSMTHU nessa demanda por novos elementos e creio que terá quem distinga muito bem o trigo do joio…
CRUCE DUM SPIRO FIDO DEO DUCE FERRO COMITANTE
Saudações amigo,
Pode me explicar a citação abaixo ?
[...]
No nosso caso, OSMTHU, ramo da OSMTH (obrigado a seguir caminho autónomo nos anos da 2ª Guerra a partir da OSMTJ),
[...]
Obrigado.
Siga este link: http://templars.wordpress.com/chronology/ e veja a entrada para 1945. É daí que procedemos.
Tens algo a dizer sobre a OSMTJ ?