A Semente da Luz
Oct 25th, 2011 | By Luis Matos | Category: Novos PostsEnquanto a Semente da Luz não se manifesta, pouco ou nada sabemos sobre ela. Apenas podemos dizer o que não sentimos e não encontrámos, meramente se fala por falar do que está convencionado no exterior do ser.
Esta semente, que referimos, é aquela que as diversas ordens tentam despertar através de símbolos, rituais e outros processos. Esta semente está dentro do ser. Foi semeada na sua descida e fortificada durante os vários níveis descendentes até chegar ao plano terreno, onde espera ser despertada, por forma a garantir que na sua subida para o divino, algo tenha florescido, dado frutos sementes; até que o ciclo de involução – evolução se complete.
Pensemos na semente de pimenteira, a que vulgarmente chamamos grão de pimenta e que usamos na culinária. Vista numa perspectiva comum, trata-se apenas de mais uma especiaria que o homem utiliza para melhorar, aperfeiçoar ou mesmo diferenciar um prato gastronómico. Uma adição que confere apetite e que despertará nuns um gosto especial, saboroso. Noutros, causará mal-estar, indiferença e até alergia (repulsa). Estes efeitos, causados por um simples grão de pimenta, são semelhantes à representação dos diversos caminhos que podem ser percorridos dado que cada um deles terá uma consequência específica no ser interior.
A semente desperta, pode florescer e frutificar, seguindo o caminho da manutenção do bem ou a repulsa total que a afasta do mesmo. Se essa for a escolha, a indiferença acabará por apagar a memória da semente.
A Semente da Luz desperta, para a qual fomos atraídos, deve ser regada e preservada de forma a manter-se viçosa e todos os dias somos lembrados de o fazer. Essa tarefa é árdua e cheio de armadilhas e por isso difícil. É uma responsabilidade.
Se formos responsáveis, rega-la-emos diáriamente, cuidaremos dela, dar-lhe-emos carinho. Se formos irresponsáveis e negligenciarmos as nossas obrigações acabaremos por assistir à sua própria putrefacção.
Algumas pessoas julgam ter despertado a Semente da Luz e passado a outro patamar. No entanto não sentem qualquer alteração em si mesmas. Isto acontece, porque de facto, não se purificaram no sentido mais exacto do verbo e como tal, não deram fruto. Mesmo que tenham meditado, orado e praticado muito, não o fizeram altruisticamente e plenamente.
A semente frutifica no solo que foi preparado para a acolher. Modificado para a receber e nutrir. Maquilhar o chão não o torna preparado. Torna-o enfeitado! Bem sabemos que os enfeites são somente expressões externas. De nada adiantará parecer se não se for! Fingir se não se realizar. E para que nos lembremos bem desta verdade, o implacável espelho mostra-nos esta realidade todos os dias quando acordamos.
O campo é vasto e o trabalho é árduo. Só aqueles que se sujeitam voluntáriamente a uma grande transformação, desejosos de mudanças, empenhados e verdadeiros, sentirão e colherão os resultados, os frutos. Assim o nosso trabalho começa ao amanhecer. Ao olharmos para o espelho e questionando, como num reino de magia, essa imagem reflectida de nós mesmos. Essa realidade aparente e transitória, perguntando-lhe: “quem és tu!” Este é o princípio do trabalho que leva à descoberta do desafio deixado em Delphos: “conhece-te a ti mesmo” de forma a descobrires o teu caminho.
Um dia, se o “Olimpo” o permitir, a tarefa será ampliada no sentido de ajudar outras sementes a florescer e a germinar.
Só assim se construirá o novo jardim do éden, o novo paraíso onde a árvore da Vida florescida alimenta com os seus frutos toda a humanidade.
Reguemos hoje com fé a nossa semente, na esperança de virmos um dia a comer o fruto da árvore do paraíso, criado e mantido para nós desde o ínício dos tempos.
Florbela Espanca & Sacadura Cabral (Pseudónimos)




