A Franco-Maçonaria – Ordem Iniciática – Parte I
Oct 25th, 2010 | By Luis Matos | Category: Destaque, Grupos de Estudos, Maçonaria
A seguinte prancha foi apresentada por um Irmão que desejou ficar anónimo, durante uma reunião solene das Lojas de língua Russa que trabalhavam sob a jurisdição da Grande Loja de França em 1949. Reuniam as Lojas Astrée, Aurore Boréale, Hermés, Jupiter, Gamaioune e Lotus. Apesar de terem passado mais de 60 anos sobre a sua redacção, a actualidade do tema que discute e a sua importância persuadiu o Grupo de Estudos Maçónicos a fazer uma tradução e a apresentá-la à reflexão dos leitores dos dias de hoje.
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Depois de terem lido o título desta Prancha no boletim das Lojas Russas, muitos Irmãos se admiraram pelo tema escolhido. Podemos assumir que todos aqueles que são recebidos entre nós sabem que a Ordem da Franco-Maçonaria é uma sociedade secreta e iniciática; pois este facto é do conhecimento até do mundo profano. Contudo, o V.’. M.’. escolheu bem ao me indicar este tema para que o desenvolvesse. Certas tendências que apareceram na Maçonaria depois da Libertação [Nazi] entre os Maçons pertencentes às Lojas Russas, bem assim como na Maçonaria francesa em geral, desde há dezenas de anos, mostram que os Irmãos conhecem menos bem o sentido primordial dos dois termos que definem a nossa Ordem: uma sociedade “secreta” e “iniciática”.
No decurso deste trabalho vejo-me obrigado a passar um pouco dos limites traçados no primeiro grau e tentarei justificar-me dizendo que vivemos numa época onde se torna muitas vezes difícil manter uma dosagem normal do ensinamento iniciático. Não me ocuparei de definir o nosso Segredo e contentar-me-ei em precisá-lo de uma vez por todas recorrendo à citação francesa seguinte:
“O Segredo da Ordem consiste no conhecimento das verdades abstractas das quais o simbolismo maçónico é a tradução sensível. Esse Segredo é inviolável, por ser incomunicável.”
Quanto ao carácter iniciático da nossa Maçonaria Escocesa, irei expô-lo, obviamente, sob uma forma muito imperfeita, referindo-me nesse domínio às autoridades genericamente reconhecidas em matéria iniciática e insistindo principalmente no aspecto metafísico da nossa doutrina.
O assunto do presente trabalho é de uma actualidade tanto maior quanto uma nova corrente se perfila entre nós. Maçons antigos e respeitáveis, que se encontram por vezes no verdadeiro topo da escada iniciática, pensam ser admissível e mesmo necessário incorporar no ensinamento maçónico ou conciliar com ele doutrinas que contradizem na realidade e de uma maneira flagrante, os princípios iniciáticos da Ordem. O adogmatismo e a tolerância maçónica servem para justificar as interpretações mais livres dos nossos principais “Landmarks”, assim como os artigos mais importantes das Constituições. Interpretando os nosso sublimes princípios com uma ousadia exagerada, pretendendo incorporar à Maçonaria, sem inconvenientes, doutrinas que têm um carácter diametralmente opostos a ela. Podemos comparar com justiça essas tendências a outras do mundo profano que se lhes assemelham muito: citemos o “Cristianismo progressista”, que acaba de ser condenado pela Igreja Católica e por uma Igreja Protestante, assim com o exemplo passado da “Igreja viva” na Rússia. Irmãos muito próximos da própria direcção da GLDF [Grande Loge de France] propuseram nas nossas revistas e em reunião de Loja, reconsiderar a totalidade da doutrina maçónica para a reformar e a tornar conforme, dizem eles, à realidade actual… Não podemos deixar de notar de passagem frases do género das seguintes: “A verdade está em constante mutação”, “A nossa ideologia deve ser repensada”, “Há lugar entre nós para todas as doutrinas, mesmo as doutrinas marxistas”, etc.
É incontestável que em França, hoje [1949], a Maçonaria Escocesa poderia beneficiar em reconsiderar algumas das suas posições de princípio; mas é necessário que isso se faça em tendência diametralmente oposta às tendências de que falo. Pois, se estas não têm na sua origem uma percepção confusa e muito insuficiente do fundamento iniciático da nossa Ordem, não as podemos explicar a não ser como um esforço consciente que visa levar a Maçonaria toda para uma via que lhe é totalmente alheia. No primeiro caso, o desvio de boa fé seria desculpável a Aprendizes. Na segunda hipótese, encontramo-nos em presença de um esforço concreto que se destina a minar as próprias fundações da nossa Ordem e a estabelecer a nível profano uma associação política e humanitária. Os católicos, eles mesmos adversários tradicionais da Maçonaria, já apontaram esse sintoma. Na segunda parte do seu livro “A Cruzada Pelas Trevas”, o Padre Berteloot precisa nomeadamente:
“Reservando o seu favor às doutrinas materialistas, a Franco-Maçonaria traiu as suas tradições e passou a seguir um falso caminho.”
Por sorte, esse racionalismo estranho à nossa Ordem, é uma excepção no seio da Maçonaria Russa. Quanto à Maçonaria Francesa, parece que hoje ela tende igualmente a rever a sua posição neste sentido. Já há muito tempo que este perigo do radicalismo, aparecendo nas Lojas francesas, provocou reacções. Deste modo, Ragon escrevia já no século passado:
“O dogma do racionalismo e do bom senso infiltrou-se na Franco-Maçonaria. No entanto, ela nunca foi nem monárquica nem imperialista, nem republicana, pois se assim fosse amanhã poderia ser socialista, comunista, anarquista e tudo o mais que passe pela cabeça fantasista dos homens. Ela está acima de todas essas variações de regime. A verdadeira iniciação é a única missão superior da Maçonaria, que não pode ser universal a não ser no domínio espiritual.”
Demo-nos conta de necessidade de reformar a Maçonaria Francesa no sentido de a fazer regressar às Tradições permanentes. Já o primeiro número da revista “Symbolisme”, que data de Outubro de 1912, Oswald Wirth escreveu o seguinte, num artigo intitulado “A Necessidade da Regeneração Iniciática”:
“A nossa instituição chegou aquela idade onde deve tomar consciência de si mesma… Faz-lhe falta agora perceber qual é o seu objectivo específico e entender por que meios ele é realizável. O passado deve dar-nos o segredo do futuro no mesmo sentido em que é nossa tarefa recuperar a Palavra perdida da verdadeira consciência iniciática.”
Sem que isso se cumprisse, Stanislas de Guaita teria razão ao escrever:
“A Franco-Maçonaria actual não passa de um simulacro sem vida, ou melhor, um ramo degenerado.”
A humanidade contemporânea e mais particularmente as gerações mais jovens exigem – a própria justiça social o impõe – que possamos devolver ao mundo essa espiritualidade e esse equilíbrio moral sem os quais a própria existência do “Eu” material do homem se encontra parcialmente comprometida. Em que consiste a missão iniciática da Ordem dos Franco-Maçons, que a diferencia das associações profanas? Para responder a essa questão, convém examinar a natureza intrínseca da Iniciação.
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(Continua na Parte II – A Iniciação)




Caros Amigos,
Após ler e reler e reflectir, vem ao de cima o que já está entranhado à muito tempo, desde a minha iniciação, que infelizemente existem muitas colunas a serem elevadas, além das nossas interirores. Os templos interior e exterior, precisam urgentemente de obreiros que estejam acima de interesses exteriores e pessoais. Esta grande ordem tem sido violada ao longo dos séculos por indíviduos que jamais se poderiam ser considerados irmãos. No entanto tal aconteceu e acontece. Mas o caminho está feito e ainda há mais por fazer. Tenho esperança que o dia chegue e que esta grande irmandade seja realmente pertença de homens livres e de bons costumes.
Um grande abraço,
Sacadura Cabral.